Muito boa tarde
Correspondendo com prazer ao pedido da
autora que é minha amiga, irei fazer alguns comentários, num breve apontamento,
ao seu livro “Partilha de Sangue”.
É sempre uma vantagem conhecer o autor. Ao
lermos a sua obra literária, estaremos mais prevenidos para os sinais que ele
pretende fazer passar através da escrita. Isto porque ao escrever um livro, ele
deixa sempre no papel, pequenos testemunhos, daquilo que é a sua essência como
pessoa, não deixando de transferir para os personagens que vai criando, alguns
detalhes das suas vivências, bem como toda a trama da complexidade dos
comportamentos ligados à condição humana! Mesmo que tente esconder-se há sempre
algo que fala dele, desnudando-o da máscara do disfarce. No percurso de vida
apaixonante da Isabel houve inconformismo, aconteceram roturas corajosas que a identificam
muito bem, com as lutas de emancipação da mulher.
Um autor quando escreve é normal
apaixonar-se pelos seus personagens, porque ao cria-los está a envolver-se com
eles dando-lhes vida, emprestando-lhes a sua alma, partilhando simultaneamente
todos os sentimentos, numa perfeita simbiose. Esses personagens pertencem-lhe
até ao momento em que os entrega ao público. Então aí deixam de pertencer-lhe e
passam a pertencer a quem os ler.
Escrever, é um ato solitário em que o autor se
liberta de si mesmo, enquanto vai criando histórias e personagens, tal como um
pequeno deus a marcar o seu destino. Escrever, pode proporcionar um sentimento de
liberdade que não tem limites e que pode dar voz aos seus mais íntimos sentimentos,
até aos devaneios do seu espirito!
Pois bem, no caso de Isabel Moreira
Rego, ao escrever este livro, pretendeu materializar, nos personagens, a carga
de sentimentos que habitam dentro dela, tratando-os com uma especial delicadeza
a denunciar uma sensibilidade refinada que só uma mulher apaixonada consegue
transmitir! Apaixonada pela vida, apaixonada pelas pessoas, apaixonada pela natureza.
Nesta obra ela tenta movimentar os personagens numa relação harmoniosa em
ambiente hostil, mas com uma forte envolvência amigável.
É, portanto, esse mundo que Isabel Rego
quer recriar no seu livro “Partilha de Sangue” focando a ação num qualquer
lugar como, poderia por exemplo, acontecer na conhecida Transilvânia carregada
de histórias vampíricas, tão ao gosto de escritores do seculo XIX até aos
nossos dias. Com certos laivos consegue entrosar os figurantes numa articulação
bem conseguida, com a construção de diálogos bem próprios de vidas vampíricas
de épocas longínquas chegadas aos nossos dias.
É aqui, quanto a mim, o ponto forte da
mensagem que a autora pretende fazer passar, apoiando-se na riqueza das suas
experiencias pessoais podendo-se vislumbrar ainda, neste romance, uma subtil
crítica social - convidando-nos a uma reflexão:
O Homem só é verdadeiramente livre quando
instruído consegue tirar as amarras ao pensamento através da cultura, proporcionando-lhe
a abertura de espirito necessária para ter a capacidade de sonhar e poder assim
partilhar, dando-lhe voz, tal como o poeta cantou“ quando o homem sonha, o
mundo pula e avança”.
Parabéns à autora!
Muito
obrigado pela atenção que me dispensaramPelo escritor Hélder Gonçalves











